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COMUNICAÇÃO PARA ALÉM DA PALAVRA Madre Escolástica
Rivata: o seu testemunho profético para o mundo de hoje Na constelação da santidade da Família Paulista insere-se também a serva de Deus Madre Escolástica Rivata. Nasceu há 115 anos – a 12 de Julho de 1897 – e celebra este ano o 25º aniversário do seu dies natalis. Em 1924, o beato Tiago Alberione escolhe a jovem Úrsula, que assumirá o nome de Irmãs Escolástica da Divina Providência, para dar vida às Pias Discípulas do Divino Mestre. Uma mulher sem cursos ou diplomas mas com a sabedoria atingida quotidianamente, desde a adolescência, na fonte da Eucaristia. Acolheu, fez nascer e crescer, no meio de muitas provas, o carisma de uma nova instituição, num estilo de silêncio e de discrição mas com o timbre de “mulher de comunicação”. Bento XVI, no passado dia 27 de Junho, falando de S. Paulo dizia que “o encontro com o Ressuscitado o fez compreender que Ele é o único tesouro pelo qual vale a pena gastar a própria existência” e isto verificou-se também em Escolástica quando fez a sua declaração de amor incondicional: “Senhor, só Tu e basta!”, que viveu no quotidiano, na fidelidade para sempre, “na alegria e na tristeza, na saúde na doença...”. O que pode Madre Escolástica dizer ao mundo de hoje? Poder-se-ia sintetizar a sua mensagem em “silêncio e palavra”, quase um ícone da mensagem do Papa para o Dia das comunicações sociais 2012. Vivemos num mundo de muitos ruídos, de meios e de mensagens que se multiplicam sem medida levando muitas vezes, se falta o silêncio, a uma não comunicação. Ela apresenta-se com os traços de uma mulher do silêncio, um silêncio que deixa transparecer uma plenitude interior, alimentada na escuta da Palavra de Deus, num conquistado domínio de si mesma, que se transforma numa “obra da missão” para potencializar a palavra de quanto evangelizam com os meios de comunicação social. Mesmo fechada entre as paredes da casa religiosa, Madre Escolástica, teve sempre o olhar voltado para o mundo inteiro, fez-se próxima com amor de apóstola dos anseios dos homens e mulheres de todos os continentes que, através do jornal e depois com os outros mass media, entravam no seu coração para serem apresentados na Adoração Eucarística ao Mestre Divino. Nos seus propósitos escrevia: “ler os jornais, escutar a rádio e a televisão para conhecer as necessidades das almas e rezar por todas as necessidades do país, da Igreja, da humanidade inteira”. Via o telejornal porque “ali passa o mundo pelo qual devemos rezar e oferecer”. Num mundo em que muitos procuram o seu próprio interesse egoísta, em que parece que o objectivo da vida seja aparecer, no qual a violência se torna mais perversa, onde estalam guerras de todos os tipos, mesmo por motivos fúteis, Madre Escolástica escreve a página do dom da vida, do não ter inimigos, porque a todos acolhe, mesmo quem a faz sofrer, com o olhar e o coração do Mestre Divino. Em cada situação estuda a estratégia para trazer a paz e a serenidade no coração, à comunidade, a quem encontra. Na sua linguagem encontra-se o reflexo de uma vida tecida pelas palavras do Divino Mestre Jesus: “Não existe amor maior do que dar a vida pelos amigos” (Jo 15, 13). “O silêncio torna-se essencial para discernir o que é importante do que é inútil ou acessório” (Bento XVI). Num mundo consumista e materialista no qual “possuir um tesouro” é sinónimo de sucesso, dinheiro, poder, fama, no qual se identifica a felicidade pessoal com a aquisição, a posse e o consumo contínuo de bens materiais, Madre Escolástica anuncia que o verdadeiro tesouro é caminhar na vontade de Deus e ter sempre nos lábios um “obrigado” por quanto o Senhor nos concede, respeitando os seus dons. Com alegria conduz ao gosto pela criação, respeitando-a, a usufruir também pelo progresso que nos traz tantos bens se acolhido na medida justa. No mundo do Tudo e Já propõe de “acumular tesouros para o reino dos céus”. “Calando
permite-se à outra pessoa que fale, que se exprima a si própria...”
(Bento XVI) e Escolástica soube escutar a todos, irmãos e irmãs, e,
em particular, as jovens gerações. Mesmo quando já é uma mulher
cujas rugas lhe marcam o rosto, mantém um coração jovem, aberto à
compreensão da linguagem dos jovens; aberta ao presente do seu tempo e
construtora de futuro. As vicissitudes da história impuseram-lhe em várias
circunstâncias “o silêncio” e nos últimos três anos de vida
viu-se privada do uso da palavra, mas não da comunicação que
continuava incisiva através das expressões do rosto, em particular do
sorriso e das mãos. “No silêncio – lê-se na mensagem do Papa – colhem-se os momentos mais autênticos da comunicação entre aqueles
que se amam: o gesto, a expressão do rosto, o corpo como sinais que
manifestam a pessoa...”. “No silêncio falam a alegria, as preocupações, o sofrimento que nesse mesmo encontram uma forma de expressão particularmente intensa” (Bento XVI), e Madre Escolástica no silêncio comunicou de modo particular a alegria. Da primeira escolha que a fez exclamar: “Senhor, só Tu e basta”, à consumação da sua oferta, conheceu a alegria duradoura de quem se põe ao serviço, gratuitamente. A sua vida não se esvaziou de sentido porque sempre bebeu da fonte da luz que vem da Palavra de Deus e da Eucaristia. A serva de Deus Madre Escolástica Rivata deu sentido pleno à sua vida ao encontrar em Jesus Mestre Caminho, Verdade e Vida “a resposta capaz de dar paz à inquietação do coração humano” e o seu silêncio torna-se também hoje palavra densa de conteúdo, comunicação e vida. (ir. Joseph Oberto, pddm)
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